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quinta-feira, 13 de setembro de 2018

How do I fit my academic job into a 37 hour week?, by Jenny Pickerill



"How do I fit my academic job into a 37 hour week? I don’t, I couldn’t possibly because this job is impossible to do/ complete/ control. But I am not willing to give my life to it or work longer hours unpaid, so here are 10 ways I survive:

1. Cut corners - I speed read (badly), I make quick decisions, I don’t read papers before a meeting, I delete emails based on the subject heading alone.

2. Don’t over prepare teaching - I have to ad lib sometimes, I limit my prep time deliberately, I do my best in the limited time available, I only try one new technique a year, I don’t dwell on a bad lecture/ seminar/ evaluation.

3. Teach the way I like - if it is enjoyable for me I hope my students will feel enthused, I don’t waste time trying to teach like others (I try to be accessible + inclusive but see pt.2)

4. Time my marking - I give each essay/ exam the time my Uni pays me to mark it (which is not a lot).

5. Avoid others’ agendas - I am cautious of being pulled into things, I take my time before agreeing to invitations/ collaborations/ favours.

6. Allocate realistic time to tasks in my calendar - I know what has to be done each week and when I am going to do it. When this gets disrupted I know what time needs to be taken from something/ somewhere else or cancelled

7. Do my share of admin - but don’t do it all, push back on bureaucracy, prioritise the things that will make a difference to the department, staff, students. Ignore some demands/ meetings/ emails.

8. Do just enough - I made a list of things I dislike doing but have to do (like grant applications) or find time consuming (like conferences) and have a yearly target. Once reached I do no more.

9. Allocate days either to teaching + admin OR research. They don’t mix.

10. Spend time on the nourishing parts of the job - I protect and cherish reading + writing days, enjoy face to face teaching + supervison, love fieldwork, and find chatting and laughing with colleagues vital."

Full thread and subsequent discussion below (on Twitter):





Related blog post by the same author: Career advice: how to work a 37-hour week

quarta-feira, 22 de agosto de 2018

Internacionalização da pós-graduação: perguntas e minhas respostas provisórias

Devemos ministrar disciplinas de pós-graduação em outras línguas?

Talvez, se houver a possibilidade de termos alunos do exterior (seja presencialmente ou à distância). Meu colega Alexandre Graeml já ofertou uma disciplina desta forma e pessoas de outras partes do mundo assistiam via YouTube.

Os alunos devem escrever teses e dissertações em inglês?

Eu sempre fui a favor de que sim, mas agora estou em dúvida. Fiz esta pergunta pois fui convidado recentemente para duas bancas (uma de mestrado e outra de doutorado) em que a dissertação/tese foi escrita em inglês e não foi fácil ler, pois os autores não escreviam um inglês perfeito (como eu também não escrevo). É papel da banca corrigir o inglês?

Escrevi minha dissertação de mestrado em inglês, minha tese de doutorado em inglês. Alguém citou? Não. Quando citam, citam os artigos que resultaram da tese (não publiquei nada no mestrado -- outros tempos). Por outro lado, a minha tese já teve 440 downloads no site da USP.

Já a tese do Zanoni Dias teve 13 citações no Scholar. A tese do João Marcos teve 26 citações no mesmo Scholar. Talvez o problema seja a minha tese...

Gilson Volpato considera um mau hábito citar dissertações e teses (são "gray literature"). Elas não foram submetidas a um peer review anônimo portanto sua qualidade é questionável. Esta talvez seja mais uma razão para não escrever a dissertação ou tese em inglês, apenas focar-se em escrever, com ótimo inglês, talvez contando com ajuda de revisores da língua, bons artigos a serem submetidos a revistas internacionais.

PS:   Uma outra razão para a tese ou dissertação estar em inglês é se for dupla diplomação, com banca composta também por estrangeiros. Já vi isso acontecer no Doutorado em Filosofia da UNICAMP. Neste caso, como diz o professor Volpato, é obrigatório.

Os alunos devem escrever e publicar artigos em inglês? 

Acho que não há nenhuma dúvida razoável aqui. A resposta é sim pois a Ciência é internacional. E não basta escrever o artigo em inglês. O artigo deve ser publicado em revista internacional. Veja mais sobre isso nos livros de Gilson Volpato.



Outras perguntas para as quais não tenho resposta detalhada, apenas uma resposta direta.

Os sites dos programas devem estar também em inglês? Sim.

Devemos reduzir a burocracia para maior intercâmbio com alunos e professores do exterior? Sim.

Devemos usar critérios internacionais para avaliar a pós-graduação?  Sim, mas tendo cuidado para não repetir erros.

quinta-feira, 31 de maio de 2018

Alessandro Fabricio Garcia: pesquisador homenageado pela CEES em 2018


Recebi na cees-l -- Lista SBC da Comissao Especial de Engenharia de Software:

É com grande satisfação que informamos que o Prof. Dr. Alessandro Fabricio Garcia (PUC-RJ) será o pesquisador homenageado pela CEES em 2018, durante a realização do CBSoft'18 em São Carlos, SP. 
Como já é de conhecimento de todos, a indicação é feita por uma comissão composta pelos três últimos pesquisadores homenageados. A homenagem é um reconhecimento à relevância da contribuição para a pesquisa em Engenharia de Software no Brasil e no mundo, e, em particular, à ativa participação na história do Simpósio Brasileiro de Engenharia de Software.
Ao Alessandro, os mais sinceros parabéns! É uma honra para toda a comunidade de ES ter você como um excelente colaborador.
EM TEMPO: Parabéns ao Alessandro e aos seus colaboradores pela recém premiação ACM SIGSOFT Distinguished Paper no ICSE 2018, em co-autoria com Leonardo Sousa (PUC-Rio), Anderson Oliveira (PUC-Rio), Willian Oizumi (PUC-Rio), Simone Barbosa (PUC-Rio), Jaejoon Lee (Lancaster University), Marcos Kalinowski (PUC-Rio), Rafael de Mello (PUC-Rio), Roberto Oliveira (PUC-Rio), Baldoino Neto (UFAL), Rodrigo Paes (UFAL) e Carlos Lucena (PUC-Rio). O artigo é intitulado "Identifying Design Problems in the Source Code: A Grounded Theory"
Fabiano Cutigi Ferrari e José Carlos Maldonado - Coordenadores do Comitê Gestor da CEES - 2017-2018

Parabéns a ao Alessandro e a todos os autores do artigo!

Também no ICSE 2018:



quarta-feira, 9 de maio de 2018

Comentários de Valdemar Setzer a texto sobre Machine Learning




O texto comentado é Google Duplex: An AI System for Accomplishing Real-World Tasks Over the Phone. Abaixo os comentários do professor Valdemar Setzer (IME-USP).

Muito impressionante. Mas logo no começo há um erro mistificador:

we have witnessed a revolution in the ability of computers to understand and to generate natural speech, 

Computadores são máquinas puramente sintáticas, não contêm semântica, e portanto não compreendem absolutamente nada. Podem comportar-se como se compreendessem, mas é não uma compreensão real, e ela não deveria se chamado como tal. Em minha conceituação, compreender algo significa associar uma representação mental (advinda de uma percepção sensorial ou da memória) com o conceito inerente ao que está sendo representado, o que é feito pelo pensamento. 

Por exemplo, se você olha para a entrada de sua sala, qual objeto você percebe visualmente? Não percebe visualmente nenhum objeto, e sim impulsos luminosos! A partir da representação mental do objeto, feita pelo pensamento a partir daqueles impulsos, você chega, com o pensamento, ao conceito "porta". Você reconheceu que o objeto tem a mesma essência de todas as portas, isto é, chegou ao conceito correto de "porta" -- que não tem representação simbólica nem física -- portanto, um computador jamais chegará a um conceito. Pode chegar a algum trecho da unidade de armazenamento onde está a palavra "porta", mas isso NÃO foi uma compreensão, foi uma manipulação meramente sintática!

Um exemplo de um conceito puro é o que há de comum entre todas as representações simbólicas do 2: 2, II, ii, .., :, dois, dos, due, deux, zwei, two, dva, chtaim etc. Esse conceito puro, com o qual trabalha-se na matemática, não tem representação simbólica; ele existe no mundo platônico das ideias, ao qual temos acesso com nosso pensamento. E ao qual jamais um computador terá acesso, pois é uma máquina puramente física. Portanto, na minha teoria jamais um computador terá a compreensão humana. Pode simular uma compreensão, mas alguém simulou um fogo no computador e saiu correndo de medo?

Você vê que eu avancei em relação ao "Chinese Room" do Searle, que mostra que os computadores não têm compreensão (no caso, da língua chinesa) mas não diz o que  é compreensão.

Eu acho que a mistificação que citei no começo é extremamente perigosa, mas isso é um outro assunto.

Quanto ao artigo, aposto que o sistema segue certos padrões, por exemplo reserva de mesa em um restaurante. Será que ele comportaria um montão de padrões? Conseguiria reconhecer qual padrão usar em cada caso?


=====
Comentário de Cristina Murta no Facebook: 
Comentários de Descartes sobre máquinas imitando homens, no livro Discurso do Método, publicado em 1637 [Descartes, 1981]. Descartes aponta dois critérios – muito seguros, segundo ele – para diferenciar homens e máquinas: 

se houvesse outras [máquinas] que apresentassem semelhança com os nossos corpos e imitassem nossas ações tanto quanto fosse moralmente possível, teríamos sempre dois meios muito seguros para reconhecer que nem por isso constituiriam homens verdadeiros. Desses, o primeiro é que nunca poderiam usar as palavras, nem outros sinais, compondo-os, como fazemos para expressar a outrem nossos pensamentos, pois se pode muito bem conceber que uma máquina seja feita de tal modo que profira palavras, e até que profira algumas a respeito das ações corporais que causem qualquer alteração em seus órgãos (por exemplo, se a tocam em certo ponto, pergunte algo que se lhe quer dizer; se em outro, que grite que lhe fazem mal, e coisas semelhantes), mas não que ela as organize de diferentes modos, para responder ao sentido de tudo quanto se disser em sua presença, assim como podem fazer os homens mais embrutecidos. E o segundo é que, apesar de realizarem coisas tão bem, ou talvez melhor do que qualquer um de nós, falhariam indubitavelmente em outras, pelas quais se descobriria que não agem pelo conhecimento, mas unicamente pela disposição de seus órgãos. Pois, enquanto a razão é um instrumento universal, que pode servir em todas as espécies de circunstâncias, tais órgãos necessitam de uma disposição particular para cada ação particular. Daí resulta que é moralmente impossível que existam numa máquina disposições bastante diversas para fazê-la agir em todas as ocorrências da vida, exatamente como a nossa razão nos faz agir.

segunda-feira, 17 de outubro de 2016

Curso de Método Lógico para Redação Científica de Gilson Volpato em Curitiba



Participei semana passada do curso sobre Método Lógico para Redação Científica de Gilson Volpato. O curso aconteceu nos dias 13 e 14 de outubro de 2016 no Hospital do Idoso Zilda Arns e foi organizado pela FEAES.

Algumas fotos (amadoras) do evento estão em http://bit.ly/2dSExYm


Informações oficiais:
http://www.feaes.curitiba.pr.gov.br/index.php/component/content/article/25-blog/856-curso-sobre-metodo-logico-para-redacao-cientifica
ou
http://archive.is/g9NLG



Facilitador: Dr Gilson Luiz Volpato.

Biólogo Licenciado pela UNESP, Universidade Estadual Paulista.
Mestrado e Doutorado pelo Instituto de Biociência, UNESP, Rio Claro.
Pós-doutorado pelo Institute of Animal Sciences, ISRAEL.
Desde 1981 é docente do Depto. Fisiologia, Instituto de Biociências, Botucatu, UNESP.
Livre-docente/Adjunto III, Fisiologia Comparada, UNESP.
Produtividade em Pesquisa pelo CNPq, nível 1B.
Foi Vice-coordenador (04 anos) e Coordenador (2 anos) de Pós-graduação.
Presidiu a Comissão de Pesquisa do Instituto de Biociências de Botucatu, UNESP.
Foi editor de periódico científico (Annual Review of Biomedical Sciences) por 12 anos.
Foi Avaliador de pós-graduação junto à CAPES.
Presidiu (04 anos) a Comissão dos Editores de Periódicos Científicos - UNESP (03 áreas do saber).
Publicou 11 livros, com 20 edições, nas áreas de Ciência, Publicação e Redação Científica.
Ministra anualmente dezenas de cursos de redação científica no Brasil e exterior.
Administra nichos na mídia da internet sobre ciência, publicação e redação científica.
Site do facilitador: www.gilsonvolpato.com.br.

Apresentação: curso destinado a qualquer área da ciência. Use evidências factuais (qualitativas ou quantitativas) para construir conhecimento científico (generalizável a partir das evidências). Os conceitos e referenciais apresentados são os mais desafiadores na ciência internacional de alto nível, servindo para qualquer construção textual científica (do TCC ao artigo). Ao desconsiderar costumes de área, regras e protocolos para a redação científica, neste curso é apresentado o caráter lógico e comunicacional para uma composição artística do texto. Inclui a apresentação do Método Lógico para Redação, segundo o qual as decisões na redação decorrem das bases filosóficas e metodológicas da ciência, temperadas com preceitos comunicacionais.

Conteúdo do Curso
1. Bases conceituais de ciência.
2. Bases metodológicas aplicáveis à redação científica.
3. Bases comunicacionais para redação científica.
4. Bases lógicas do texto científico.
5. Rotina para construção do texto científico.
6. Aplicação do Método Lógico na estruturação de algumas de partes do texto científico.

Local do evento: Feaes – Fundação Estatal de Atenção Especializada em Saúde de Curitiba | Rua Lothário Boutin, nº 90, Pinheirinho, Curitiba, PR.

Como fazer pesquisa em Engenharia de Software?

Passo 1: leia artigos de boas revistas científicas e de anais de boas conferências. Nelas você pode encontrar questões que estão sendo estudadas pelos pesquisadores da área.

Algumas das principais revistas da área são (sem ordem específica, mas todas classificadas com bom Fator de Impacto na área):


Atualização: O professor Robert Feldt fez uma lista das principais revistas da área de Engenharia de Software. E incluiu outras sub-áreas da Computação também.

É sempre bom dar uma olhada nas últimas edições destas revistas. Você pode (e deve) criar alertas para receber por email avisos de novas edições delas.


Artigo publicado por Wilson Bissi, eu e Maria Claudia na IST



E quanto a conferências?

Na Computação, as conferências podem ser um local tão bom ou até melhor para publicar seus artigos. Os artigos ficam disponíveis em sites, são achados em mecanismos de buscas e muitas vezes são até mais citados do que artigos de revistas.

Exemplos de boas conferências:

PS: Post inspirado pela obra de Gilson Volpato.

segunda-feira, 21 de março de 2016

Professor Distinto ou Professor Voluntário?

No Brasil, quando um funcionário público completa 70 anos é obrigado a se aposentar.

Muitos professores universitários amam o que fazem e mesmo após completar 70 anos (ou se aposentar de outra forma) querem continuar contribuindo para a universidade.

Isto aconteceu recentemente com um colega: Celso Kaestner (no caso dele não foi aposentadoria aos 70 anos, acho).

Que nome se dá ao professor que quer continuar trabalhando na universidade, mesmo sem receber? Em geral, Professor Voluntário.

Mas este nome não é bom. É péssimo, como bem colocou Walter Carnielli em email sobre o professor Putnam:

Belo, e inspirador, obituário de Putnam no Huffington Post, pela Martha Nussbaum, Distinguished Professor:  
"A life in reason was and is difficult." http://www.huffingtonpost.com/martha-c-nussbaum/hilary-putnam-1926-2016_b_9457774.html

Aproveito para reclamar mais uma vez do absurdo que é ser professor aposentado na Unicamp. Enquanto este cargo em como Chicago, Stanford, Berkekey, Harvard, etc., e outros lugares os professores aposentados viram "Distinguished Professors", aqui eles viram "café com leite", voluntários como se fossem fazer serviço de caridade numa creche. Ridículo.

Hilary Putnam. Fonte: Wikipedia.



Melhor seria chamar de Professor Distinto (não está soando bem... você tem algum outra sugestão?).

Eu respondi:

Concordo.

Acho um desperdício de talento.

Em alguns casos deselegante. Meu tio-avô Plácido e Silva, ex-professor da UFPR, contou sua filha em biografia, ficou muito triste quando, na data da aposentadoria, o pediram para liberar sua mesa. Nenhuma homenagem foi feita a ele.
 
Uma dúvida. Acho que nem todo professor aposentado em universidades americanas se torna "Distinguished Professor". Só alguns. Estou certo?

Nos EUA conheci este Distinguished Professor da UNC: Oliver Smithies, 90 anos.

Oliver Smithies


Smithies recebe 227.625 dólares de aposentadoria http://www.newsobserver.com/news/databases/public-salaries/




sexta-feira, 11 de março de 2016

Argumentos Pró e Contra a Existência das Bolsas de Produtividade do CNPq

As Bolsas de Produtividade em Pesquisa do CNPq são fornecidas "aos pesquisadores que se destaquem entre seus pares, valorizando sua produção científica segundo critérios normativos, estabelecidos pelo CNPq, e específicos, pelos Comitês de Assessoramento (CAs) do CNPq."

Será que elas deveriam existir? Alguns são a favor, outros contra. Meu objetivo neste post é listar os argumentos a favor e contra e deixar o leitor decidir por si. Se você tem algum argumento adicional, comente abaixo!

Por ordem alfabética, começo com os argumentos contra:


  • Cria uma competição não saudável entre os pesquisadores brasileiros.
  • Privilegia os pesquisadores de grandes centros mantendo uma distribuição desigual.
  • Estimula os pesquisadores a produzir mais quantidade em vez de focar em qualidade.

Argumentos a favor:
  • Desburocratiza a liberação de recursos aos pesquisadores com histórico de boas publicações.
  • Estimula os pesquisadores a produzir mais.
  • Cria um incentivo adicional à pesquisa nas universidades. 

Este post será atualizado à medida que eu ficar sabendo de novos argumentos pró e contra.


Os argumentos acima são meus.
Abaixo vou listar os argumentos que receber de outras pessoas.

Argumentos contra recebidos de outras pessoas (ver nos comentários críticas a estes argumentos):

  • Retira recursos de financiamento da pesquisa para colocá-los como salário extra para os pesquisadores. (Contribuição: Armando Neves)
  • Remunera duplamente a atividade de pesquisa de alguns poucos que conseguem a bolsa, sem remunerar os vários que, mesmo em quase igualdade de produção, não conseguem alcançar a bolsa. (Contribuição: Armando Neves)
  • Desvirtua o tripé ensino, pesquisa e extensão, supervalorizando uma das três atividades. Como existem também formas de remuneração para a extensão, o efeito prático é que o ensino, a mais fundamental das atividades das universidades, acaba desprestigiado. (Contribuição: Armando Neves).
  • Bolsas de Produtividade em Pesquisa não aferem a competência, o mérito, mas como seu nome diz, aferem tão somente a produtividade dos pesquisadores, produtividade esta avaliada tão somente em termos de publicações. (Contribuição: Otavio Carpinteiro)
  • Bolsas de produtividade são concedidas aos pesquisadores com maior produtividade, o que, em um país desigual, como o Brasil, significa serem concedidas aos pesquisadores com os maiores e melhores recursos. (Contribuição: Otavio Carpinteiro)
  • Bolsas produtividade são concedidas aos pesquisadores dos grandes centros de pesquisa, situados nas capitais e grandes municípios  do país, que fazem uso dos grandes recursos humanos lá existentes e dos grandes recursos materiais criados há decadas por gerações passadas. (Contribuição: Otavio Carpinteiro)
  • Só bolsistas de produtividade de nível 1 podem eleger e ser eleitos para compor os Comitês Assessores do CNPq, que são os comitês que decidem para onde vai o dinheiro da pesquisa. O CNPq é regido, portanto, por um regime oligárquico, não democrático, onde os oligarcas, os pesquisadores 1, não são os mais competentes, os mais meritórios, mas tão somente, os mais produtivos por possuírem os maiores e melhores recursos. (Contribuição: Otavio Carpinteiro)
  • Pesquisadores fora das capitais e dos grandes municípios, que criam as condições de pesquisa em seus centros sem recursos e que, de fato, são os que desenvolvem o país, são forte e desonestamente prejudicados pelas políticas oligarquicas do CNPq (e também da CAPES e de outras agências de fomento estaduais), que se baseiam nas bolsas de produtividade. (Contribuição: Otavio Carpinteiro)

Argumentos a favor recebidos de outras pessoas:

  • Por enquanto nenhum.


sexta-feira, 28 de agosto de 2015

FastFormat - software para edição de documentos acadêmicos

FastFormat


Usei bem rapidamente o FastFormat, um software para "produzir artigos de conferência e periódicos, trabalhos de conclusão de curso, monografias, dissertações e teses de quaisquer instituições, que tenham como referência a Associação Brasileira de Normas Técnicas (ABNT)." Eu estou de acordo com meu colega professor da UFPR Carlos Maziero de que devemos evitar usar as normas da ABNT, mas o software é bem mais do que isso. Ele permite editar documentos em diferentes formatos e, mais importante, permite exportar para Latex (bom) e Word (ruim, mas às vezes necessário). O software foi desenvolvido na UFAL e por enquanto é gratuito mas a ideia é que no futuro algumas funcionalidades sejam cobradas. O site é http://fastformat.co/.

Tela do FastFormat

quarta-feira, 12 de agosto de 2015

Educação Científica, por Miguel Nicolelis

Miguel Nicolelis (veja a página do Nicolelis Lab na Duke University) é um dos mais reconhecidos cientistas brasileiros em atividade. Ele é bastante ativo no Twitter e ontem postou 1, 2, 3, 4, 5, 6 tweets sobre educação científica. Abaixo o apanhado (com algumas reescritas minhas - veja os tweets originais abaixo) que fiz das mensagens dele. Vale a reflexão.


A educação científica de alta qualidade tem que entrar na pauta do Plano Nacional de Educação (PNE) do Brasil. Não é possível inovar sem projeto nacional de educação científica. Fórmulas antiquadas não vão dar conta do recado. Precisamos incentivar e liberar a natureza criativa das crianças brasileiras. O país tem que pensar grande e educar milhões de inventores e cientistas para as próximas décadas. Fórmula tradicional da ciência brasileira não resolve! O Brasil precisa formar cientistas, não "professores doutores"! Mais criatividade menos pompa. Mais impacto, menos papers que não dizem a que vieram.  O Ciência sem Fronteiras foi um ótimo começo, mas é preciso repensar a forma de fazer ciência no Brasil e abrir oportunidades para jovens cientistas. Menos corporativismo dos cardeais, mais espaço para a juventude e o talento! Podia começar pela eliminação do Ranking de Pesquisadores do CNPq!

Miguel Nicolelis. Fonte: Wikipedia.








terça-feira, 23 de junho de 2015

Programando Ciência

Fiquei sabendo do site/blog Programando Ciência através de um tweet do autor para o professor Gilson Volpato:






Blog Programando Ciência, de Alex de Siqueira

O blog contém posts sobre Python, R e sobre Ciência. Gostaria de ver algo sobre a linguagem Julia no futuro.

Detalhe interessante: o Alex escreve um parágrafo em português e em seguida apresenta a tradução para o inglês, o que torna possível que pessoas de fora leiam seus posts.


quarta-feira, 21 de janeiro de 2015

Ensinando Pássaros a Voar?

Meu e-amigo no Facebook e no Twitter, Jaguaraci Silva, postou o seguinte texto em sua página (clique na imagem para aumentar):


Fiz os seguintes comentários, que gostaria de compartilhar:

Mesmo nos países que publicam mais e melhor a pesquisa não é tão bem vista assim. Tem muita pesquisa claramente inútil (ou útil para grupos muito pequenos) sendo feita por aí. Se ao menos servir como formação de pessoal, menos mal.

Sempre que vejo a Table of Contents dos principais periódicos em Engenharia de Software (exemplo http://www.computer.org/csdl/trans/ts/2015/01/index.html), me pergunto para quê aquilo vai ser útil. Pelo que vejo participando de encontros com o pessoal que trabalha com software, quase nada.

Pesquisa-se o que é mais fácil de publicar, e/ou de executar. O que é realmente relevante, mas difícil de obter resultado, é esquecido.

Outro fenômeno é o que o Nassim Taleb chama de "Lecturing Birds on Flying": acadêmicos sem qualquer experiência profissional recente querendo dizer aos profissionais como estes devem se comportar.