segunda-feira, 21 de maio de 2018

Usando Ferramentas para Mapas Mentais para Desenhar Tablôs Analíticos

Uma ideia que tive (ou que algum aluno teve - não lembro) em 2016 foi a de usar aplicativos para o desenho de mapas mentais para desenhar demonstrações usando o sistema de tablôs analíticos.

Mas nem todos os aplicativos funcionam bem. O que melhor funcionou para mim foi o Bubbl.us. Abaixo uma demonstração de um sequente não-válido usando o sistema de tablôs analíticos com fórmulas marcadas para lógica clássica proposicional: 



Com uma conta grátis no Bubbl.us, você pode ter até 3 mapas. E pode compartilhar um link de um mapa, como este link do tablô abaixo, cujo sequente é válido:



quinta-feira, 10 de maio de 2018

Questão de Lógica em Concurso da UFPR

Meu aluno Jean Rangel me enviou a seguinte questão e pediu confirmação do gabarito:


Minha resposta foi

Deixa eu formalizar:

p: O solo foi adubado
q: As pragas foram exterminadas
r: As plantas ficaram doentes.

A primeira confusão da questão é misturar tempos verbais: passado aqui, futuro ali.

Mas vamos ignorar isso e colocar tudo no presente:

p: O solo é adubado
q: As pragas são exterminadas
r: As plantas ficam doentes.

Sendo assim, a fórmula do enunciado é

(!p|!q)->r

Onde:
! não
| ou
-> se então

Para contradizer uma implicação, é necessário que o antecendente (lado esquerdo, no caso !p|!q) seja verdadeiro e o consequente (r) seja falso.

Para que !p|!q seja verdadeiro é necessário que ou !p ou !q seja verdadeiro.
Logo,
ou
"O solo não é adubado"
ou
"As pragas não são exterminadas"
ou
as duas frases acima são verdadeiras.

Além disso, é preciso que q seja falso, ou seja, que
"As plantas não ficam doentes".

Vamos ver qual das opções tem uma das duas primeiras frases (ou as duas) e a terceira frase.

Exatamente a letra (E).
Resposta correta.


quarta-feira, 9 de maio de 2018

Comentários de Valdemar Setzer a texto sobre Machine Learning




O texto comentado é Google Duplex: An AI System for Accomplishing Real-World Tasks Over the Phone. Abaixo os comentários do professor Valdemar Setzer (IME-USP).

Muito impressionante. Mas logo no começo há um erro mistificador:

we have witnessed a revolution in the ability of computers to understand and to generate natural speech, 

Computadores são máquinas puramente sintáticas, não contêm semântica, e portanto não compreendem absolutamente nada. Podem comportar-se como se compreendessem, mas é não uma compreensão real, e ela não deveria se chamado como tal. Em minha conceituação, compreender algo significa associar uma representação mental (advinda de uma percepção sensorial ou da memória) com o conceito inerente ao que está sendo representado, o que é feito pelo pensamento. 

Por exemplo, se você olha para a entrada de sua sala, qual objeto você percebe visualmente? Não percebe visualmente nenhum objeto, e sim impulsos luminosos! A partir da representação mental do objeto, feita pelo pensamento a partir daqueles impulsos, você chega, com o pensamento, ao conceito "porta". Você reconheceu que o objeto tem a mesma essência de todas as portas, isto é, chegou ao conceito correto de "porta" -- que não tem representação simbólica nem física -- portanto, um computador jamais chegará a um conceito. Pode chegar a algum trecho da unidade de armazenamento onde está a palavra "porta", mas isso NÃO foi uma compreensão, foi uma manipulação meramente sintática!

Um exemplo de um conceito puro é o que há de comum entre todas as representações simbólicas do 2: 2, II, ii, .., :, dois, dos, due, deux, zwei, two, dva, chtaim etc. Esse conceito puro, com o qual trabalha-se na matemática, não tem representação simbólica; ele existe no mundo platônico das ideias, ao qual temos acesso com nosso pensamento. E ao qual jamais um computador terá acesso, pois é uma máquina puramente física. Portanto, na minha teoria jamais um computador terá a compreensão humana. Pode simular uma compreensão, mas alguém simulou um fogo no computador e saiu correndo de medo?

Você vê que eu avancei em relação ao "Chinese Room" do Searle, que mostra que os computadores não têm compreensão (no caso, da língua chinesa) mas não diz o que  é compreensão.

Eu acho que a mistificação que citei no começo é extremamente perigosa, mas isso é um outro assunto.

Quanto ao artigo, aposto que o sistema segue certos padrões, por exemplo reserva de mesa em um restaurante. Será que ele comportaria um montão de padrões? Conseguiria reconhecer qual padrão usar em cada caso?


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Comentário de Cristina Murta no Facebook: 
Comentários de Descartes sobre máquinas imitando homens, no livro Discurso do Método, publicado em 1637 [Descartes, 1981]. Descartes aponta dois critérios – muito seguros, segundo ele – para diferenciar homens e máquinas: 

se houvesse outras [máquinas] que apresentassem semelhança com os nossos corpos e imitassem nossas ações tanto quanto fosse moralmente possível, teríamos sempre dois meios muito seguros para reconhecer que nem por isso constituiriam homens verdadeiros. Desses, o primeiro é que nunca poderiam usar as palavras, nem outros sinais, compondo-os, como fazemos para expressar a outrem nossos pensamentos, pois se pode muito bem conceber que uma máquina seja feita de tal modo que profira palavras, e até que profira algumas a respeito das ações corporais que causem qualquer alteração em seus órgãos (por exemplo, se a tocam em certo ponto, pergunte algo que se lhe quer dizer; se em outro, que grite que lhe fazem mal, e coisas semelhantes), mas não que ela as organize de diferentes modos, para responder ao sentido de tudo quanto se disser em sua presença, assim como podem fazer os homens mais embrutecidos. E o segundo é que, apesar de realizarem coisas tão bem, ou talvez melhor do que qualquer um de nós, falhariam indubitavelmente em outras, pelas quais se descobriria que não agem pelo conhecimento, mas unicamente pela disposição de seus órgãos. Pois, enquanto a razão é um instrumento universal, que pode servir em todas as espécies de circunstâncias, tais órgãos necessitam de uma disposição particular para cada ação particular. Daí resulta que é moralmente impossível que existam numa máquina disposições bastante diversas para fazê-la agir em todas as ocorrências da vida, exatamente como a nossa razão nos faz agir.

sábado, 10 de março de 2018

sábado, 24 de fevereiro de 2018

MiniDebConf Curitiba 2018 na UTFPR

Recebi via softwarelivre.org:

MiniDebConf Curitiba 2018

MiniDebConf Curitiba 2018
De 11 a 14 de abril Curitiba sediará pelo terceiro ano consecutivo uma MiniDebConf composta por palestras, oficinas, sprints, BSP (Bug Squashing Party) e eventos sociais. A MiniDebConf Curitiba 2018 é um evento aberto a todos(as), independente do seu nível de conhecimento sobre Debian. O mais importante será reunir novamente a comunidade para celebrar o maior projeto de Software Livre no mundo, por isso queremos receber desde usuários(as) inexperientes que estão iniciando o seu contato com o Debian até Desenvolvedores(as) oficiais do projeto. Ou seja, estão todos(as) convidados(as)!
Este ano serão quatro dias dedicados exclusivamente ao Debian, divididos assim:
  • 11 e 12 (quarta e quinta): MiniDebCamp - período para colaboradores(as) do Debian se encontrarem e trabalharem conjuntamente em um ou mais aspectos do projeto. Essa será a nossa versão da brasileira da Debcamp, que acontece tradicionalmente antes da Debconf. Não haverá palestras, debates e oficinas nesses dias, teremos apenas "mão na massa" como empacotamentos de softwares, traduções e BSP - Bug Squashing Party.
  • 13 e 14 (sexta e sábado): MiniDebConf propriamente dita - palestras, debates, oficinas, e mais "mão na massa".
A inscrição para a MiniDebConf Curitiba 2018 é totalmente gratuita e pode ser feita no formulário disponível no site do evento: https://minidebconf.curitiba.br

sexta-feira, 1 de setembro de 2017

sábado, 18 de março de 2017

"Hacks" de Estudo, blog de Cal Newport

Descobri recentemente o trabalho de Cal Newport, professor da Georgetown University (veja post anterior). O blog dele, Study Hacks, tem um nome  meio complicado de traduzir para o português. Seria algo como "Dicas de Estudo", mas como o termo "hack" já se incorporou ao nosso vocabulário, traduzi acima para "Hacks de Estudo" mesmo.

Livros de Cal Newport
Cal tem vários livros publicados. Li Deep Work e agora estou lendo So Good They Can't Ignore You. São os dois livros que ele chama, na imagem acima, de "livros para profissionais". Ele escreveu anteriormente livros para estudantes. Mas mesmo estes livros para profissionais, e principalmente o blog, são muito úteis para estudantes e para trabahadores de conhecimento.

Quanto ao blog, aos poucos estou lendo os posts. O blog é bem antigo e tem bastante material que ele não inclui nos livros. Por exemplo, no blog ele entra em detalhes, com exemplos, sobre algumas técnicas que no livro ele apenas descreve. E antecipa temas que provavelmente estarão em seus livros futuros.

A principal contribuição do trabalho de Cal Newport para mim foi a ideia de Deep Work (DW - tradução: Trabalho Profundo). Segundo Cal, DW é essencial para você ter sucesso hoje em dia, seja como empregado, seja como empreendedor. Ao menos para a maioria das pessoas.

DW é aquele tipo de trabalho que você realiza concentrado, focado. Quando você está numa sessão de DW você não acessa redes sociais nem nos intervalos. Uma sessão de DW pode durar uma hora, um hora e meia. Não vai durar quatro horas pois é muito difícil manter a concentração por tanto tempo.

O livro e o site apresentam várias sugestões de como você faz para introduzir DW no seu dia-a-dia. Um exemplo está na imagem abaixo: registrar todas as horas que você passa fazendo DW.

Do post Lab Notes: I Spent 42 Hours Last Month on the Activity Most Critical to My Success

Outro exemplo é o que ele chama de Time Blocking: planejar cada minuto do seu dia.

Do post Deep Habits: The Importance of Planning Every Minute of Your Work Day
Eu tenho procurado praticar DW no meu dia-a-dia. Por exemplo, tenho ido a uma biblioteca para ficar longe da minha sala, onde posso ser interrompido por colegas. Ah, e minha sala não tem nenhum isolamento acústico. Acabo escutando tudo que se passa por perto. Péssimo local para DW.

Um aluno meu, formado mestre pelo PPGCA, praticou DW durante seu mestrado. Ele descreveu para mim sua rotina da seguinte forma:

"Eu acordava todos os dias entre 1:30hrs e 2:00hrs (me deitava às 21:30hrs). Costumo dormir de 4 a 5 horas por noite, não mais que isso. Minha produtividade é muito grande até as 6:30hrs, permaneço focado por um bom tempo. Depois disso tomava café às 7hrs e às 8hrs me deslocava ao trabalho / universidade. Trabalhava até as 19hrs e retornava pra casa, jantando e me preparando para o sono as 21:30hrs." 
Segundo Cal, este é um dos estilos de DW: o rítmico. Veja os outros na imagem abaixo.

Do post Deep Work in Practice – Applying Cal’s Concepts
Enfim, o livro e o blog são bastante ricos em ideias e em técnicas. Não vou conseguir abordar tudo aqui mas sugiro que todos leiam o livro e inscrevam-se no blog.