terça-feira, 4 de agosto de 2015

Palestra de Eric Mazur (Harvard University) sobre Aprendizagem em Pares - PARTE 1

Esta foi a segunda palestra do evento da PUC-PR sobre Metodologias Ativas de Ensino-Aprendizagem. O palestrante foi o professor Eric Mazur, da Harvard University. Os slides da palestra cujo título em português foi "Confissões de um Professor Convertido" podem ser encontrados aqui. Vou destacar neste post alguns pontos que me chamaram a atenção.

Eric Mazur

Antes do início do palestra, o Pró-Reitor de Graduação da PUC-PR, professor Vidal Martins, relatou uma conversa que teve com Eric Mazur antes da palestra. Segundo Mazur, para que a implementação de metodologias ativas dê certo numa universidade ou escola são necessários três fatores:
  1. As pessoas tem que saber porque mudar
  2. Os professores devem estar confortáveis com a mudança. Isto é, não deve haver excessiva pressão para que os professores mudem.
  3. É necessário dar formação aos professores.

Eric Mazur começou falando que sua trajetória com metodologias ativas começou 25 anos atrás. Ele era um professor querido pelos alunos (tinha boas avaliações) de uma turma que outros professores não queriam lecionar. A turma era de Física para estudantes de Pré-Medicina (nos EUA quem quer ser médico faz dois cursos. A Medicina é uma pós-graduação de 4 anos feita após 4 anos de graduação em algum outro curso). Ele ensinava como sempre foi ensinado: ministrando palestras para uma sala com vários alunos. Nenhum outro professor queria lecionar esta turma pois alunos que pretendem ser médicos não costumam gostar de Física e dos professores de Física. O resultado: professores muito mal avaliados.

Mas os alunos gostavam de Eric e ele achava que eles estavam aprendendo (pelos resultados que obtinham nas provas). Até que um dia Eric leu uma notícia sobre como os conhecimentos de Física obtidos em sala de aula de universidades não eram aplicados corretamente quando eram descritos num teste ilustrando situações da vida real (por exemplo, numa batida entre um caminhão e um carro pequeno, qual dos dois aplica força maior?). Ele aplicou o mesmo teste para seus alunos, esperando que eles fossem bem, e eles foram tão mal quanto os estudantes de outras universidades.  Aí ele percebeu que não bastava ser bem avaliado se os alunos não aprendiam.

E, apesar de ele receber comentários elogiosos como professor, os alunos comentavam nos questionários de avaliação que Física era chata. Até o dentista dele comentou que detestava Física!

Eric tentou fazer de sua palestra (num Auditório convencional) a mais interativa possível. Ele pediu a todos para pensarem em algo em que seja bons. Depois de algum tempo, pediu para todos pensaram em como ficaram bons nesta coisa. Apenas uma pessoa em todo o auditório disse que tinha ficado bom em algo assistindo palestras. Todos somos bons em aprender mas palestras não são uma forma de aprender. São uma forma de transmitir informação. E hoje em dia existem várias formas de transmitir informação (livros, vídeos, etc). Por que usar o horário em sala de aula para transmitir informação?

"Some people talk in their sleep. Lecturers talk while other people sleep." 
Albert Camus
A solução que ele encontrou foi desenvolver um método chamado Peer Instruction (Aprendizagem em Pares ou com Colegas). Ele escreveu um livro sobre o tema que acaba de ser traduzido para o Português...

FIM DA PARTE 1 - CONTINUAREI NUM PRÓXIMO POST

Fotos profissionais aqui.






Reitor da PUC-PR




Professor Vidal Martins

A photo posted by Adolfo Neto (@adolfont) on

C++, Ruby e Clojure no GrokPodcast

Já programei em C++, mas parei faz tempo. Se você nunca programou, vale a experiência. Neste post (Como mergulhar no aprendizado da linguagem de programação C++), o autor diz que "Bjarne Stroustrup, que desenhou e implementou o C++, falou sobre seus livros na rede social Quora." As principais observações dele estão traduzidas no post.


Também já fiz coisas pequenas em Ruby (até menores do que eu fiz em C++). Segundo este post (Use qualquer biblioteca C no Ruby usando Fiddle, em inglês), você pode usar bibliotecas de C em Ruby.

A terceira parte da série de podcasts sobre Clojure no GrokPodcast foi publicada. Escute aqui. Parabéns ao pessoal do Grok. Neste episódio, eles comentam que os dois entrevistados escreveram livros sobre Clojure. São eles:

A propósito, instalei o Cursive Clojure (plugin para o IntelliJ IDEA) aqui no meu micro e estou experimentando. 

segunda-feira, 3 de agosto de 2015

Palestra sobre Metodologias Ativas com Bennett Goldberg (Boston University)

Acabo de voltar de uma palestra com o professor Bennett Goldberg sobre metodologias ativas de ensino-aprendizagem. Fiquei sabendo deste evento graças ao meu amigo e professor da PUC-PR Everaldo Gomes.

O título da palestra foi Inversão de Sala de Aula (Flipped Classroom). Ouvi falar pela primeira vez de Inversão em Sala de Aula ainda quando estava na NC State University. A palestrante de um dos cursos que fiz me falou que alguns professores de lá estavam utilizando e gostando deste método. O livro talvez mais famoso sobre o tema é Flip Your Classroom de Jonathan Bergmann.

A palestra do professor Goldberg foi além da Inversão de Sala de Aula. O título em inglês foi "A Participatory Society Through Active Learning". Abaixo alguns dos pontos discutidos e comentários.

Em primeiro lugar ele listou (e comentou) os argumentos para Aprendizagem Ativa:
  • Trabalho em equipe (teamwork)
  • Pensamento crítico (critical thinking)
  • Mentes inquisidoras (inquiring minds)
  • Conflito produtivo (productive conflict)
  • Ação social (social action)
Ele mencionou o trabalho do amigo dele Derek Bruff  (Vanderbilt University Center for Teaching) ao falar sobre a necessidade de reconsiderar o uso do tempo em sala de aula. A ideia é que devemos deixar este costume de usar o tempo em sala de aula principalmente para "palestras" do professor e usá-lo mais para atividades dos alunos. Para isso, os alunos terão que fazer algumas atividades antes da aula. Que atividades? Leitura de textos, resolução de questionários, assistir vídeos, entre outras.

Segundo Goldberg, o ponto principal nem é apenas tecnologia. Mesas circulares e cadeiras com rodas (para movimentação) foram, segundo ele, as melhores tecnologias para ele implementar Aprendizagem Ativa.

Um detalhe bem curioso: depois que ele passou a adotar Aprendizagem Ativa (como professor da Universidade de Boston) a avaliação dele como professor piorou. Isto é, os alunos agora o consideram um professor pior do que antes, quando apenas ministrava aulas. Mas ele tem dados que mostram que hoje em dia os alunos aprendem bem mais do que antes.

Uma palestra chata em vídeo é ainda pior do que uma palestra chata presencialmente. Não se deve achar que Inversão de Sala de Aula é apenas gravar as aulas em vídeo. E ele comentou que os vídeos não podem ser muito longos. Devem ter duração aproximada de 6 minutos. Quanto mais longo o vídeo, menos os alunos assistem.

O professor deve fazer os alunos expressarem o conhecem do tema que irão estudar antes de fato estudarem (state prior knowledge).

Algumas estratégias foram discutidas para assegurar que os alunos façam as atividades antes da aula. Exemplos: questionário online para ser feito antes da aula, one minute paper no começo da aula. Todas estas atividades devem valer nota. Segundo ele, os estudantes são criaturas de hábitos e a maioria destes (maus) hábitos precisam ser quebrados. 

Goldberg e o professor Eric Mazur (que vai falar amanhã e acaba de ter seu livro traduzido para o Português) criaram MOOC grátis que fala sobre Aprendizagem Ativa: An Introduction to Evidence-Based Undergraduate STEM Teaching.

A palestra terminou com exemplos de Aprendizagem Ativa. O primeiro exemplo foi o Studio do professor Goldberg na Boston University, que ele usa para lecionar Introdução a Física.  Interessante ver como uma turma com 81 alunos consegue conviver numa mesma sala. Claro que a sala é especial; ela foi projetada pelo próprio professor. Ela tem 27 espaços para escrita (quadros digitais) e mesas para 3 alunos. Ele precisou de 9 anos para convencer sua uiversidade a construir a sala. Depois disso, convidou cada um dos colegas professores de seu departamento e vários administradores da universidade para participarem de uma aula. Ele disse que até hoje é difícil convencer os colegas da efetividade da Aprendizagem Ativa, por mais que as pesquisas indiquem que é eficaz.

Outro exemplo de Aprendizagem Ativa foi um curso de Wayne Lamorte na Escola de Saúde Pública da Boston University. O terceiro foi um curso de Design em Engenharia da Gerry Fine. Segundo ele, é um curso baseado em projetos. O último exemplo foram as aulas de Física de Eric Mazur (saberemos mais amanhã).

Aberto o espaço para questões, uma questão que me chamou a atenção foi a do professor Alessandro, da Universidade Positivo. Ele disse que tem tentado usar Inversão de Sala de Aula mas os alunos resistem. Segundo Goldberg, isto é comum e por esta razão todos os anos ele mesmo pede para os alunos responderem:
  • Qual é sua expectativa em relação ao curso (que eles já sabem será com Aprendizagem Ativa)?
  • Qual sua experiência anterior com Aprendizagem Ativa?
  • Com o que você está mais preocupado?
A partir das respostas dos alunos, na primeira aula ele aborda cada uma das preocupações dos alunos.

Goldberg disse que no começo sempre é difícil. Ou seja, quando se adota Aprendizagem Ativa, muitas dificuldades surgirão e a mudança exige energia extra. Ele sugere começar aos poucos mudando (isto é, tornando suas aulas mais ativas) apenas aquilo que seja mais empolgante para você.

Fotos profissionais aqui. Abaixo algumas fotos minhas da palestra: 









sexta-feira, 31 de julho de 2015

Aprendendo a programar usando planilhas

Dica do Everaldo Gomes: Aprendendo a programar usando planilhas.

Novo site do Mauricio Aniche: Code Sheriff. Você coloca seu códgo e ele analisa.

ParanaJobs: uma página no Facebook criada pelo Rafael Silvério, aluno da UTFPR Objetivo? Divulgar vagas na área de Computação e Informática no Paraná.

Perigo: hackers controlam carro à distância.

quinta-feira, 30 de julho de 2015

E se linguagens de programação fossem veículos?

E se linguagens de programação fossem veículos? Figuras de veículos e textos comparando-as a linguagens de programação. Engraçado para quem conhece (ao menos supercialmente) as linguagens. Minha favorita: OCaml. Não a linguagem, mas sim a figura + texto:


OCaml é esta coisa de forma engraçada da qual os Europeus gostam por alguma razão.


Mais um na linha humor com bom fundo de verdade: Programação de Computadores vai ser renomeada oficialmente "Googlando StackOverflow".

Enquanto estive na NC State soube deste aplicativo (Campus Cruizer) mas não usei. É inspirado no Uber mas só para alunos de graduação de universidades americanas.

Como gosto muito de Clojure, esta notícia chamou minha atenção: Walmart usa Clojure em larga escala.

Como aprender a programar com jogos.

Segurança de software é uma questão muito séria. E deve ser pensada antes do desenvolvimento do software, como diz Gary McGraw. Este bug no Android só deixa isso ainda mais claro.

http://antipattern.io/ fornece feedback para seu código como um serviço. Via Dean Wampler.

Existem várias boas razões para se usar software livre. Uma delas é a possibilidade de economia: 
Banco do Brasil estima economia de R$ 50 milhões com uso de software livre


HD de 5 megabytes sendo enviado. IBM, 1956.

5 megabyte hard drive being shipped out, IBM 1956.
Posted by So Bad So Good on Tuesday, July 21, 2015

quarta-feira, 29 de julho de 2015

ElixirConf 2015, ICSE 2016, Grok Podcast sobre Clojure

ElixirConf, a conferência sobre a linguagem de programação Elixir (criada pelo brasileiro José Valim, inspirada em Clojure e que roda na máquina virtual do Erlang) está com inscrições abertas. Vai ser em outubro de 2015, em Austin, Texas. O Grok Podcast fez recentemente uma série de podcasts com o José Valim sobre Elixir.




Por falar em Austin, mesma cidade onde irá acontecer a ICSE 2016, que está com inscrições de trabalhos aberta. A Laurie Williams, que me recebeu muito bem durante meu ano sabático na North Carolina State University, é uma das co-chairs de programa. Dê uma olhada na página do grupo dela. Ainda apareço lá na foto do grupo (que deve ser trocada em breve). Gosto muito da proposta de pesquisa do grupo de fazer pesquisa relevante para a comunidade de profissionais em engenharia de software.

Grupo de pesquisa Realsearch


Fonte: página do Realsearch no Facebook.


Achei interessante também que o outro co-chair do ICSE 2016 é um professor da África do Sul. Taí uma possibilidade de um futuro ano sabático...

Um dos "problemas" da linguagem Erlang, na minha opinião, é ser baseada na sintaxe de Prolog. O que José Valim parece ter feito muito bem é dado uma sintaxe melhor (baseada em Ruby e Clojure) do que a de Erlang. Eu sou fã de Clojure. Ano passado, em Durham, conheci o autor de um dos livros sobre Clojure, o Stuart Halloway. A empresa dele (e do criador de Clojure, o Rich Hickey) me deu de presente uma inscrição para o evento de Clojure: a Clojure/Conj 2014. Se você quer saber mais sobre Clojure, o Grok Podcast está fazendo uma série de podcasts sobre a linguagem.  E a Clojure/Conj 2015 vai ser em novembro.

PS: formato do post inspirado no blog Recorrido.

terça-feira, 23 de junho de 2015

Programando Ciência

Fiquei sabendo do site/blog Programando Ciência através de um tweet do autor para o professor Gilson Volpato:






Blog Programando Ciência, de Alex de Siqueira

O blog contém posts sobre Python, R e sobre Ciência. Gostaria de ver algo sobre a linguagem Julia no futuro.

Detalhe interessante: o Alex escreve um parágrafo em português e em seguida apresenta a tradução para o inglês, o que torna possível que pessoas de fora leiam seus posts.