Mostrando postagens com marcador aprendizagem-ativa. Mostrar todas as postagens
Mostrando postagens com marcador aprendizagem-ativa. Mostrar todas as postagens

sexta-feira, 30 de outubro de 2015

quinta-feira, 17 de setembro de 2015

Aprendizagem Ativa na Computação

Um colega escreveu (e forneceu evidências) para
"a mudança do perfil do aluno que entra na UTFPR desde 2010, para os altos índices de retenção e evasão (pós-Sisu), e a real quantidade de alunos que as engenharias têm formado (ainda não sentimos o impacto do CsF e nem do Sisu... o número de formados nos próximos 3 semestres provavelmente vai cair)." 
 Os links que ele mencionou estão abaixo:
Eu respondi: Sobre "a mudança do perfil do aluno que entra na instituição desde 2010", acho que outras universidades já passaram por este problema. E a solução mais conhecida (existem evidências e não somente opiniões) é a Aprendizagem Ativa (Active Learning). Saiu até no New York Times.


Um outro colega comentou:

"Fiz uma leitura rápida das referências e achei interessante. Na verdade, fiquei bastante curioso em saber se existem referências com mais detalhes técnicos sobre a implementação de active learning especificamente no ensino das cadeiras básicas de computação (principalmente programação), você teria alguma sugestão?"   

Turma praticando Aprendizagem Ativa


E eu complementei: 

O material que li é independente de disciplina.

Mas procurando no blog do Mark Guzdial um defensor de Metodogias Ativas e que tem coluna na Communications of the ACM (ver este e este textos, em particular), encontrei o Peer4CS.
Mas Peer Instruction é apenas um dos tipos de metodologias ativas. Tem um vídeo legal do pessoal da PUC-PR explicando. Encontrei  este relato de experiência também da PUC.

A propósito, criei um grupo no Facebook sobre Aprendizagem Ativa.

segunda-feira, 10 de agosto de 2015

Inversão de Sala de Aula

Estou lendo o livro Flip Your Classroom: Reach Every Student in Every Class Every Day, de Jonathan Bergmann e Aaron Sams, sobre Inversão de Sala de Aula.

Uma das dicas dos autores para criar os vídeos que substituem as palestras em sala de aula é fazer isso em duplas. Isto é, sempre dois professores falando sobre o assunto da aula. Segundo a experiência deles, os alunos gostam mais de aulas ministradas por duplas de professores.


Postei este comentário no nosso grupo sobre Aprendizagem Ativa no Facebook e meu amigo e colega de profissão Everaldo Gomes comentou:

Isso é verdade! Foi-se o tempo de trabalhar sozinho. Agora que você falou, notei que vários cursos que fiz à distância foram ministrados por duplas ou trios.

Neste livro, os autores comentam que usam o Camtasia para gravar suas aulas. Pesquisando na Internet, achei um substituto grátis (em versão limitada) para o Camtasia: Active Presenter. Não testei ainda. Você já usou algum deles?

Ainda sobre inversão de sala de aula, esta página tem vários guias para ajudar a quem quer começar.

terça-feira, 4 de agosto de 2015

Palestra de Eric Mazur (Harvard University) sobre Aprendizagem em Pares - PARTE 1

Esta foi a segunda palestra do evento da PUC-PR sobre Metodologias Ativas de Ensino-Aprendizagem. O palestrante foi o professor Eric Mazur, da Harvard University. Os slides da palestra cujo título em português foi "Confissões de um Professor Convertido" podem ser encontrados aqui. Vou destacar neste post alguns pontos que me chamaram a atenção.

Eric Mazur

Antes do início do palestra, o Pró-Reitor de Graduação da PUC-PR, professor Vidal Martins, relatou uma conversa que teve com Eric Mazur antes da palestra. Segundo Mazur, para que a implementação de metodologias ativas dê certo numa universidade ou escola são necessários três fatores:
  1. As pessoas tem que saber porque mudar
  2. Os professores devem estar confortáveis com a mudança. Isto é, não deve haver excessiva pressão para que os professores mudem.
  3. É necessário dar formação aos professores.

Eric Mazur começou falando que sua trajetória com metodologias ativas começou 25 anos atrás. Ele era um professor querido pelos alunos (tinha boas avaliações) de uma turma que outros professores não queriam lecionar. A turma era de Física para estudantes de Pré-Medicina (nos EUA quem quer ser médico faz dois cursos. A Medicina é uma pós-graduação de 4 anos feita após 4 anos de graduação em algum outro curso). Ele ensinava como sempre foi ensinado: ministrando palestras para uma sala com vários alunos. Nenhum outro professor queria lecionar esta turma pois alunos que pretendem ser médicos não costumam gostar de Física e dos professores de Física. O resultado: professores muito mal avaliados.

Mas os alunos gostavam de Eric e ele achava que eles estavam aprendendo (pelos resultados que obtinham nas provas). Até que um dia Eric leu uma notícia sobre como os conhecimentos de Física obtidos em sala de aula de universidades não eram aplicados corretamente quando eram descritos num teste ilustrando situações da vida real (por exemplo, numa batida entre um caminhão e um carro pequeno, qual dos dois aplica força maior?). Ele aplicou o mesmo teste para seus alunos, esperando que eles fossem bem, e eles foram tão mal quanto os estudantes de outras universidades.  Aí ele percebeu que não bastava ser bem avaliado se os alunos não aprendiam.

E, apesar de ele receber comentários elogiosos como professor, os alunos comentavam nos questionários de avaliação que Física era chata. Até o dentista dele comentou que detestava Física!

Eric tentou fazer de sua palestra (num Auditório convencional) a mais interativa possível. Ele pediu a todos para pensarem em algo em que seja bons. Depois de algum tempo, pediu para todos pensaram em como ficaram bons nesta coisa. Apenas uma pessoa em todo o auditório disse que tinha ficado bom em algo assistindo palestras. Todos somos bons em aprender mas palestras não são uma forma de aprender. São uma forma de transmitir informação. E hoje em dia existem várias formas de transmitir informação (livros, vídeos, etc). Por que usar o horário em sala de aula para transmitir informação?

"Some people talk in their sleep. Lecturers talk while other people sleep." 
Albert Camus
A solução que ele encontrou foi desenvolver um método chamado Peer Instruction (Aprendizagem em Pares ou com Colegas). Ele escreveu um livro sobre o tema que acaba de ser traduzido para o Português...

FIM DA PARTE 1 - CONTINUAREI NUM PRÓXIMO POST

Fotos profissionais aqui.






Reitor da PUC-PR




Professor Vidal Martins

A photo posted by Adolfo Neto (@adolfont) on

segunda-feira, 3 de agosto de 2015

Palestra sobre Metodologias Ativas com Bennett Goldberg (Boston University)

Acabo de voltar de uma palestra com o professor Bennett Goldberg sobre metodologias ativas de ensino-aprendizagem. Fiquei sabendo deste evento graças ao meu amigo e professor da PUC-PR Everaldo Gomes.

O título da palestra foi Inversão de Sala de Aula (Flipped Classroom). Ouvi falar pela primeira vez de Inversão em Sala de Aula ainda quando estava na NC State University. A palestrante de um dos cursos que fiz me falou que alguns professores de lá estavam utilizando e gostando deste método. O livro talvez mais famoso sobre o tema é Flip Your Classroom de Jonathan Bergmann.

A palestra do professor Goldberg foi além da Inversão de Sala de Aula. O título em inglês foi "A Participatory Society Through Active Learning". Abaixo alguns dos pontos discutidos e comentários.

Em primeiro lugar ele listou (e comentou) os argumentos para Aprendizagem Ativa:
  • Trabalho em equipe (teamwork)
  • Pensamento crítico (critical thinking)
  • Mentes inquisidoras (inquiring minds)
  • Conflito produtivo (productive conflict)
  • Ação social (social action)
Ele mencionou o trabalho do amigo dele Derek Bruff  (Vanderbilt University Center for Teaching) ao falar sobre a necessidade de reconsiderar o uso do tempo em sala de aula. A ideia é que devemos deixar este costume de usar o tempo em sala de aula principalmente para "palestras" do professor e usá-lo mais para atividades dos alunos. Para isso, os alunos terão que fazer algumas atividades antes da aula. Que atividades? Leitura de textos, resolução de questionários, assistir vídeos, entre outras.

Segundo Goldberg, o ponto principal nem é apenas tecnologia. Mesas circulares e cadeiras com rodas (para movimentação) foram, segundo ele, as melhores tecnologias para ele implementar Aprendizagem Ativa.

Um detalhe bem curioso: depois que ele passou a adotar Aprendizagem Ativa (como professor da Universidade de Boston) a avaliação dele como professor piorou. Isto é, os alunos agora o consideram um professor pior do que antes, quando apenas ministrava aulas. Mas ele tem dados que mostram que hoje em dia os alunos aprendem bem mais do que antes.

Uma palestra chata em vídeo é ainda pior do que uma palestra chata presencialmente. Não se deve achar que Inversão de Sala de Aula é apenas gravar as aulas em vídeo. E ele comentou que os vídeos não podem ser muito longos. Devem ter duração aproximada de 6 minutos. Quanto mais longo o vídeo, menos os alunos assistem.

O professor deve fazer os alunos expressarem o conhecem do tema que irão estudar antes de fato estudarem (state prior knowledge).

Algumas estratégias foram discutidas para assegurar que os alunos façam as atividades antes da aula. Exemplos: questionário online para ser feito antes da aula, one minute paper no começo da aula. Todas estas atividades devem valer nota. Segundo ele, os estudantes são criaturas de hábitos e a maioria destes (maus) hábitos precisam ser quebrados. 

Goldberg e o professor Eric Mazur (que vai falar amanhã e acaba de ter seu livro traduzido para o Português) criaram MOOC grátis que fala sobre Aprendizagem Ativa: An Introduction to Evidence-Based Undergraduate STEM Teaching.

A palestra terminou com exemplos de Aprendizagem Ativa. O primeiro exemplo foi o Studio do professor Goldberg na Boston University, que ele usa para lecionar Introdução a Física.  Interessante ver como uma turma com 81 alunos consegue conviver numa mesma sala. Claro que a sala é especial; ela foi projetada pelo próprio professor. Ela tem 27 espaços para escrita (quadros digitais) e mesas para 3 alunos. Ele precisou de 9 anos para convencer sua uiversidade a construir a sala. Depois disso, convidou cada um dos colegas professores de seu departamento e vários administradores da universidade para participarem de uma aula. Ele disse que até hoje é difícil convencer os colegas da efetividade da Aprendizagem Ativa, por mais que as pesquisas indiquem que é eficaz.

Outro exemplo de Aprendizagem Ativa foi um curso de Wayne Lamorte na Escola de Saúde Pública da Boston University. O terceiro foi um curso de Design em Engenharia da Gerry Fine. Segundo ele, é um curso baseado em projetos. O último exemplo foram as aulas de Física de Eric Mazur (saberemos mais amanhã).

Aberto o espaço para questões, uma questão que me chamou a atenção foi a do professor Alessandro, da Universidade Positivo. Ele disse que tem tentado usar Inversão de Sala de Aula mas os alunos resistem. Segundo Goldberg, isto é comum e por esta razão todos os anos ele mesmo pede para os alunos responderem:
  • Qual é sua expectativa em relação ao curso (que eles já sabem será com Aprendizagem Ativa)?
  • Qual sua experiência anterior com Aprendizagem Ativa?
  • Com o que você está mais preocupado?
A partir das respostas dos alunos, na primeira aula ele aborda cada uma das preocupações dos alunos.

Goldberg disse que no começo sempre é difícil. Ou seja, quando se adota Aprendizagem Ativa, muitas dificuldades surgirão e a mudança exige energia extra. Ele sugere começar aos poucos mudando (isto é, tornando suas aulas mais ativas) apenas aquilo que seja mais empolgante para você.

Fotos profissionais aqui. Abaixo algumas fotos minhas da palestra: